terça-feira, 10 de agosto de 2010

Distância

A distância é realmente uma incógnita. Tão boa quando se quer esquecer, tão ruim quando se quer lembrar. Dolorosa, às vezes. Principalmente quando o que quer que seja que esteja longe de você é algo ou alguém que você goste.

Eu posso me dizer uma semi-expert em distância. Morei por praticamente metade da minha vida só com a minha mãe enquanto meu pai trabalhava fora do país. Via ele uma vez a cada três meses. Já fui estudar fora e me ausentei de tudo que eu gostava de fazer, das pessoas com quem eu gostava de estar. Ligava toda a noite pra impedir a minha mãe de se suicidar por saudades. Metade das minhas amizades é virtual. Converso por MSN e não tenho a menor previsão de encontro físico.

Mas essas distâncias que a vida forçou a mim e que eu forcei em mim mesma, são apenas físicas. Quando eu perdia um dente e queria contar pro meu pai, não importava se ele estava no quarto do lado ou na América Central. Eu ia contar pra ele. Quando eu estava na Inglaterra, bom, minha mente continua bem distante, presa num certo quarto da House of Wilson. As minhas amigas da internet chegam a me entender muito mais do que as que eu vejo todos os dias. Eu me sinto mais próxima mentalmente das pessoas quando o espaço físico nos separa.

Mas quando o espaço físico nos junta, o espaço mental me separa do resto. Essa proximidade, esses beijinhos de bom dia todo dia com ois animados, isso me faz querer fugir de qualquer modo, me faz querer que a pessoa suma. A pior parte é ter que fingir que está tudo bem todos os dias, porque hey, eu posso te ver. Não adianta fingir que está tudo bem e mandar um emoticom de lhama verde.

Deus do céu, eu quero distância. Eu preciso de distância. Eu necessito de distância. Talvez isso faça de mim uma pessoa terrível e nojenta, sem habilidades sentimentais e/ou sociais. Mas isso não é nenhuma novidade pra mim. Eu parei de querer ser amiga de todo mundo quando eu tinha 9 anos. Coincidentemente, meu pai se mudou pra América Central quando eu tinha 9 anos.

Eu não se bem o que é que eu queria escrever aqui. Mas eu sei que eu tinha que escrever alguma coisa. Porque essa distância está me matando. A cada segundo que passa, eu me distancio mais e mais de quem eu preciso, eu me fecho num mundo de idealismos e besteiras. Eu gosto dos meus idealismos e das minhas besteiras. Mas sabe do que mais que eu gosto? De estar próxima o suficiente da realidade pra saber o quanto eu posso me distanciar sem cair num precipício e morrer.



xoxo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Verdades

Todo mundo precisa ouvir umas verdades. Ninguém quer ouvir umas verdades. Eu sei que eu preciso ouvir umas verdades. Eu sei que eu não quero ouvir umas verdades. E eu sei que estou morrendo de vontade da falar umas verdades pra algumas pessoas.

Sim, dá pra perceber que você é uma bicha a quilômetros de distancia. Você é uma vadia. Todo mundo te odeia e finge que é seu amigo pra rir de você. Você é gorda. Você beija mal. Não, você não fica bem de calça apertada. Tira essa porra de bigode. Você é enrustido e detestável. Sua voz irrita qualquer ser vivo em um raio de 15 metros. Você é um travesti. Você fede. Se cachorro morreu e todo mundo riu. Não, eu não vou ficar com você não importa o quanto você peça.

Eu preciso dizer isso e muito mais pra muita gente. Mas eu sei que se falar essas coisas vou perder pessoas que eu gosto, que eu gostava, que eu posso vir a gostar. Que gostam de mim, que gostavam de mim, que podem vir a gostar de mim. Aquelas que eu tenho que manter uma relação cordial de troca de favores. Então vou continuar falando que eu não gosto de você com tom de brincadeira e sendo grossa em todas as oportunidades que eu tiver. Porque hey! Essa é a Marina né? Ela é mal educada e fala as coisas brincando, nunca leve a sério o que ela diz. Mas adivinha. É sério.



xoxo