Ontem eu estava na padaria com a minha mãe depois de sair do oculista. Meus olhos estavam doendo como uma égua depois de parir. Eles estavam ardendo e inchados e muito dilatados. Eu não estava conseguindo ver direito, na verdade não estava conseguindo nem abrir os olhos. Ai eu ouvi um ‘mas mãaaaaae, ele é lindo!’ numa voz de menininha de 7 anos. Eu tive que abrir meus olhos doloridos e inchados e lacrimejantes pra ver o que era.
Realmente era uma menininha de uns 7 anos, de shorts colorido, Crocs e uma blusa dessas acolchoadas de coração. Era uma coisa medonha. Parecia que todas as modinhas dos últimos anos tinham vomitado na garota. E tá, isso eu até entendo, porque garotas são altamente suscetíveis s a modinhas. Mas o que a menina queria porque era ‘lindo’ foi o que me assustou.
Ela estava com aquela Capricho que vem com o DVD do Robert Pattinson. Isso foi meio (MUITO) deprimente pra mim. Quando eu tinha 7 anos, eu pedia gibis da Turma da Mônica pra minha mãe. Não porque o Cebolinha era lindo, mas sim porque as historinhas eram legais. Elas ainda são. Mas essa menina, isso era diferente. Ela queria um DVD de um cara que não fez nada pra ela, não ensinou nada pra ela, só porque ele era lindo. E ela tinha 7 anos.
Isso me fez pensar em algo. Como as coisas mudaram nos últimos 9 anos. Quase uma década. Praticamente uma geração ideológica diferente. Minha mãe me fala que ela brincou de boneca até os 16 anos. Eu rio disso. Mas hoje tudo fez sentido. Nos anos 70, era normal para garotas brincarem de boneca até seus 15, 16 anos. Eu parei de ver graça em bonecas e comecei a ver graça em filmes e livros (HARRY POTTER) com 10 anos. Será que essa menina teve essa fase de boneca ou passou dos castelos de bloquinho direto para a fase dos filmes e livros (TWILIGHT)? Livros que eu duvido que ela conheça de verdade, que ela já tenha lido. Ela só teve saber que o Robert Pattinson é bonito porque viu no filme e na TV e no outdoor do lado do Américo Brasiliense.
Eu sempre escutei que as coisas mudam rápido, que o presente já é passado, ou nas sábias palavras de Cazuza, o tempo não pára. Os papéis estão sendo revertidos. Agora tudo acontece tão mais cedo, que chega a ser um pouco vergonhoso não acompanhar. Antigamente era digno. Não se jogar nessa vida de idolatria e superficialismo caracterizava pessoas decentes. E eu não falo antigamente no século XVIII.
Eu falo o antigamente moderno, o antigamente de 10 anos atrás. Porque eu me lembro muito bem que minha mãe quase arrancou meu couro quando eu comecei a ver La Usurpadora. Power Rangers era ok, mas novela mexicana de gêmeas uma boazinha e uma malvada não!
E beleza, eu entendi. A geração mudou, agora todo mundo gosta de Twilight e de Crocs. Mas que geraçãozinha mais infeliz essa. Vai crescer lendo os devaneios de uma mulher com principio de Alzheimer que sonhava com vampiros deprimentes que brilham no sol. Vai crescer ouvindo uma música colorida que tenta sem sucesso nenhum copiar os anos 80 tanto em roupas quanto em sintetizadores. Vai crescer calçando um sapato que causa micoses e deixa os pés de todo mundo parecendo pás. Vai crescer achando que essas coisas são o que há e nunca vão olhar pra trás. Porque as gerações anteriores, minha inclusa, se recusam a perceber que no passado existiram coisas boas.
Sorte a minha que eu consegui abrir meus olhos um pouco. Que eu consegui ver que não queria ter crescido na geração dos anos 90. Não estou reclamando de ver Power Rangers, Xuxa, Bambuluá e Doug. Não estou reclamando de ter comido chocolate surpresa, palitinho de mussarela e aquelas gelatinhas que minha vó comprava pra mim. Mas eu sempre me pergunto se não tinha uma época mais legal pra mim. Porque eu acho que teve. Só que eu não sei qual.
Aiii que triste. Mas é verdade meu, antigamente as fases eram realmente vividas e não puladas ou disperdiçadas como é agora. "/ Se as coisas continuarem a mudar pra pior, como está acontecendo, imagine só daqui alguns anos. Enfim, gostei desse texto, achei beeem válido. ;)
ResponderExcluirKEM EAH O ZÉ MANÉAH QUE TAH FLANU MAU DI RESTART?
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