Esse fim de semana foi provavelmente o único das férias que eu fiz alguma coisa. E não alguma coisa do tipo fui no shopping e tomei um starbucks, ou algo igualmente normal. Não, esse fim de semana eu fui, sábado numa balada e domingo na Corpos. E cara, foi um fim de semana muito bom.
Mas eu não posso negar uma coisa. E é uma coisa um tanto o quanto excêntrica e nada ‘adolescente de 16 anos’. A minha parte não favorita do fim de semana não foi ir na badala, dançar, conversar mal por causa do barulho ensurdecedor da musica e otras cositas más; que definitivamente não valem a pena ser comentadas aqui. O fato é que eu estava desconfortável lá. Não era a minha coisa.
Não, a minha coisa, a minha parte preferida do meu fim de semana foi o domingo, ir numa exposição de corpos humanos embalsamados, ver os ossos, os músculos, os tendões, os nervos, as veias e as artérias, fetos conservados, cortes de cérebro normal e cérebro com AVC, pulmão normal e pulmão fumante, sistemas reprodutores feminino e masculino (não consegui achar a próstata, isso me desanimou por aproximadamente 3 segundos), e minha parte favorita pessoal, os tumores. Tumores benignos que causam cólicas e tumores malignos que bom, são cânceres. Câncer de mama, câncer de próstata, câncer do colo do útero, câncer no fígado, câncer de sei lá eu o que.
Talvez isso não faça muito sentido pra maioria das pessoas que estejam lendo isso agora. Mas talvez isso faça sentido pra mim. Talvez faça sentido pra elas daqui a vinte anos. Ou não. Talvez eu não esteja dentro do padrão atual. Talvez eu seja um pouco mais nerd do que eu imaginava. Talvez eu seja um pouco mais médica do que eu imaginava. Talvez eu tenha realmente nascido pra fazer o que eu faço. Ficar em casa sábado a noite após sábado a noite lendo, ouvindo música, assistindo TV e conversando no MSN com as pessoas que também ficam sábado a noite após sábado a noite em casa.
Desculpa, menti. Eu não faço essas coisas de sábado a noite. Eu faço essas coisas todos os dias menos sábado a noite. De sábado a noite eu saio pra comer pizza com os meus pais. E até fazendo isso eu me sinto mais a vontade do que numa balada.
ufa, ainda bem que você continua sendo você mesma, e não a menina da balada que definitivamente não vale a pena ser comentada aqui.
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